Alergia em Foco Natação e Alergia Respiratória


mar

12

2015

Natação e Alergia Respiratória

É inegável o benefício da atividade física no desenvolvimento da criança e do adolescente e, ao longo da vida do adulto, na manutenção do bem-estar e na prevenção de doenças. Em princípio, praticamente todo exercício é bem-vindo.
Mas, quando se fala em asma (ou “bronquite”), existe um esporte que se destaca no imaginário popular: a Natação. É verdade que, por ser realizado em ambiente quente e úmido, tem suas vantagens sobre esportes realizados em locais frios ou secos. Proporciona também um aprendizado de cadência respiratória, uma seqüência regular de inspiração e expiração, sem falar dos efeitos cardiovasculares positivos e da ausência de impacto nas articulações (ou “juntas”) dos pés, dos joelhos e da coluna. Em resumo, médicos de diversas especialidades indicam a natação; é quase um “remédio” universal. Entre os leigos, muitos acham que a natação pode até tratar ou curar as alergias respiratórias, como asma e rinite. Mas nem tudo é tão simples.
Ao respirarmos de forma mais intensa e freqüente – e isto sempre acontece num exercício físico – o ar não consegue ser aquecido e umedecido pelo nariz e pela garganta. Como resultado, um ar não ideal chega ao fundo das vias respiratórias, irritando a mucosa (nossa “pele interna”, que reveste os canais da respiração). Em alguns casos, existe como resultado uma contração dos brônquios, ocasionando sintomas como tosse ou respiração mais curta. Até prática sexual pode ser afetada. Entre adultos que têm crises de tosse, chiado no peito e falta de ar (ou seja, os asmáticos), 38% já relataram pelo menos um episódio de crise de asma em um desses momentos íntimos.
Quando o ar ambiente está muito seco e/ou frio, maior ainda será o estímulo para o desencadeamento de uma crise em indivíduos sensíveis. Os trabalhos científicos oscilam bastante em relação à chance de uma pessoa que tem asma (ou já teve no passado) apresentar algum desses sintomas durante ou após o exercício, com porcentagens que variam de 30 a 90%. Até porque cada exercício exige um esforço respiratório diferente, além de existirem diversos ambientes onde podem ser praticados.
Em um dos trabalhos que realizamos na UNIFESP, publicado na revista da Academia Americana de Alergia, aproximadamente metade dos pacientes alérgicos que foram submetidos ao teste de exercício, em bicicleta ergométrica, tiveram algum sinal de limitação respiratória, chamada de Asma ou Broncoespasmo Induzido pelo Exercício. O interessante foi observar que muitos deles não sentiam praticamente nada. Em alguns casos, uma leve tosse ou aperto no peito não indicavam de forma clara que estava acontecendo uma diminuição significativa da capacidade pulmonar. Além de um ouvido atento, às vezes o médico precisará lançar mão de exames para o diagnóstico. Muitas vezes, sem perceber, os pacientes se tornam gradativamente sedentários. São crianças que se desinteressam dos esportes ou adultos que se consideram pouco condicionados.
Só que o assunto torna-se mais complicado quando o esporte é realizado em uma piscina tratada com cloro, pois os gases liberados agridem as vias respiratórias, não só de quem está nadando, mas também do profissional que respira o mesmo ar com aquele conhecido “aroma de piscina”. A principal substância tóxica é a tricloramina, resultante do contato do cloro com as secreções humanas, como a urina e o suor. Ao que tudo indica, o caso se torna mais sério quando falamos de bebês, pois têm a parede brônquica mais sensível. Alguns trabalhos científicos recentes, desenvolvidos na Bélgica, levantaram uma séria desconfiança sobre a possibilidade do contato precoce e constante com o cloro ter facilitado mais alérgicos se tornarem asmáticos. Em suma: quanto mais cloro, mais rinite e asma. Outros estudos têm mostrado que nadadores de competição, com maior exposição nesses ambientes de pouca ventilação, teriam maior necessidade de medicação antiasmática, justamente ao contrário do senso popular. Provavelmente a confusão ao longo destes anos tenha acontecido por se atribuir a melhora do pulmão à natação e não ao crescimento da criança. Na verdade, a maioria dos adolescentes que apresentaram diminuição dos sintomas teve a asma “curada” por deixar de ser criança e não por nadar anos a fio.
Enquanto se estuda uma forma de minimizar os efeitos deletérios do cloro e seus derivados (como maior ventilação de piscinas cloradas e formas alternativas de esterilização da água), as medicações antialérgicas têm um papel na prevenção e alívio de sintomas. Mas lembre-se: o importante é não ficar sedentário. Ao exercício!
Fonte: Dr. Raul Emrich Melo | https://www.tratandoalergia.com.br/2006/conteudo_fiquepordentro.asp?i=125
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