Alergia em Foco Alergia a proteínas de leite de vaca em idade pediátrica


jan

12

2015

Alergia a proteínas de leite de vaca em idade pediátrica

A alergia a proteínas do leite de vaca (APLV) é uma patologia cada vez mais prevalente e duradoura. Constitui a alergia alimentar mais comum na primeira infância (2,5% do total das alergias alimentares), atingindo 2 a 3% dos lactentes e crianças. A APLV tem um pico de incidência aos três meses de idade, mas pode apresentar-se cerca de uma semana após o nascimento em lactentes alimentados exclusivamente com leite materno (LM) com uma incidência entre 0,4 e 2%.

PATOGÊNESE

Os mecanismos imunológicos que estão na base do aparecimento de uma alergia alimentar ainda não são totalmente conhecidos, embora provavelmente resulte de uma ausência de tolerância oral, ou seja, a inexistência de uma resposta ativa do sistema imune a um antígeno apresentado pela mucosa gastrointestinal. Foram descritos vários fatores de risco para APLV: prematuridade, antibioticoterapia e/ou o contato precoce e esporádico com proteínas do leite de vaca (PLV) in utero, através do LM ou através de fórmula para lactentes administrada ocasionalmente. A APLV é uma reação imunológica a uma ou mais PLV. O leite de vaca (LV) contém numerosas proteínas das quais oito têm potencial alergênico, sendo a caseína, a beta-lactoglobulina e a beta-lactoalbumina as mais frequentemente responsáveis pela ocorrência de APLV.

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS

As manifestações e a sua gravidade dependem do tipo de resposta imunológica: IgE mediada (reação de hipersensibilidade tipo I) ou não IgE mediada (reação de hipersensibilidade tipos III e IV).
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DIAGNÓSTICO E ABORDAGEM TERAPÊUTICA

O diagnóstico é feito pelos testes cutâneos e intradérmicos, restrição de dieta de PLV e/ou pela prova de provocação oral. A abordagem terapêutica tem como principal objetivo evitar o alergênico e, simultaneamente, manter uma dieta equilibrada, nutritiva e saudável tanto da mãe como do filho. A abordagem difere essencialmente se são alimentados com LM ou fórmula para lactentes. Alimentos como leite, natas, chantilly, manteiga, leite condensado, margarina, mel, soro de leite, lactose, caseína, iogurtes e queijos devem ser evitados, tanto pela mãe, como pelas crianças que já iniciaram a diversificação alimentar. Os lactentes alimentados com fórmula devem mudar para uma fórmula hipoalergénica. A primeira opção é geralmente uma fórmula extensamente hidrolisada, no entanto, uma fórmula de aminoácidos livres pode estar indicada nos casos graves ou se os sintomas persistem 2-4 semanas com uma fórmula extensamente hidrolisada. A tabela mostra fórmulas extensamente hidrolisadas:
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EVOLUÇÃO

A evolução da APLV é geralmente transitória. Aproximadamente 50% dos doentes desenvolvem tolerância antes dos 12 meses, 75% antes dos três anos e 90% até aos seis anos de idade79. Dados recentes revelam uma alteração na história natural da doença com uma tendência para duração mais prolongada80. São indicadores de persistência mais prolongada de intolerância: doença IgE mediada, alta sensibilização à caseína, existência de sensibilizações concomitantes e a persistência de intolerância aos cinco anos de idade80-82. Dos doentes com APLV, 18 a 50% desenvolvem alergias a outros alimentos.
Autor: Renan de Assis Pereira, Acadêmico de Medicina da PUC Goiás, membro da Liga Acadêmica de Imunologia e Alergia da PUC Goiás.
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